23.03.2020

Enfermeira em St. Vinzenz, Hanau

de Irmã M. Johanna Hellmann

Um círculo se fecha

Depois de mais de 45 anos, agora estou trabalhando novamente na profissão de enfermeira, que aprendi e exerci por alguns anos, antes de ingressar na comunidade das Irmãs de Maria de Schoenstatt.

Desde então, pude ganhar experiência que exige independência e auto decisão:

– No trato com pacientes e seus familiares envolvidos no cuidado do doente;

– Como enfermeira cuidando de nossas irmãs idosas e doentes em Dietershausen;

– No círculo das Irmãs enfermeiras, responsáveis pelo intercâmbio e formação de enfermeiros em nossa comunidade.

Por isso me mantive atualizada e, ao mesmo tempo, me dei bem com as rápidas mudanças na profissão de enfermagem.

Verdadeiros desafios

 Desde fevereiro de 2018 tenho vivido como Irmã externa em Hanau – na cidade que se tornou amplamente conhecida devido ao terrível ataque terrorista em 19 de fevereiro de 2020.

O Hospital St. Vinzenz tem um departamento para geriatria e traumatologia de idosos, onde tenho trabalhado desde então. Esta unidade é um setor de pronto socorro, com um centro de reabilitação anexado. Atendemos 64 pacientes numa equipe de fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, além de médicos e enfermeiros treinados profissionalmente. É dada muita ênfase ao profissionalismo, à autonomia e à cooperação. Geriatria significa: Cuidamos de pacientes idosos de 70 a mais de 90 anos.

Todas as especializações de um hospital estão representadas em nossa unidade: cirurgia pós-acidente, traumatologia etária e medicina interna. Cuidados paliativos e intensivos também estão incluídos, mas, geralmente, apenas temporariamente até que o paciente seja transferido para um asilo ligado ao hospital ou outra clínica geriátrica.

A fase de introdução foi um verdadeiro desafio para mim. Muitas coisas me eram completamente novas e desconhecidas, porque a medicina fez um tremendo progresso. Além disso, o trabalho em geriatria é muito focado no cuidado terapêutico, que eu também tive que reaprender. O ritmo acelerado do trabalho, a perícia necessária e a documentação me custaram muita força no início. Nesse meio tempo já me adaptei, graças à Enfermeira Chefe da minha unidade, que me acompanhou com muita compreensão e paciência durante o período de treinamento, com muitas conversas, feedback e apoio profissional.

Eu tenho a responsabilidade ou por uma área da unidade ou por todo o turno. Dois a três técnicos de enfermagem ou estudantes trabalham comigo na unidade. Então, além do cuidado dos idosos, eu estou ocupada com o posto de enfermagem. Meu tempo de trabalho é principalmente noturno.

A maioria dos pacientes sofrem de demência, são inquietos, precisam de observação e empatia. Boas palavras e atenção muitas vezes funcionam mais do que medicamentos. Concentração total é sempre necessária para que não ocorram erros. Os pacientes são muito gratos, às vezes exigentes, como é em todos os lugares hoje.

Indo ao encontro dos pacientes a partir do meu santuário-coração

Porque eu estou em traje civil, à primeira vista você não vê que eu sou Irmã de Maria de Schoenstatt. Mas alguns pacientes vêem a cruz que uso no meu casaco e falam comigo sobre isso. Muitas vezes é preciso ouvir, mostrar compreensão, dizer uma palavra encorajadora e simplesmente estar lá, não se deixar notar que você está em estresse, o que realmente, às vezes, precisa de disciplina.

Eu sempre tento ir ao encontro dos meus pacientes a partir do meu santuário-coração, rezar a pequena consagração a caminho do quarto do paciente, e cada sinal da campainha é para mim “um retorno para Deus”. Porque você precisa de lembretes para que você não apenas “viva”. Nosso médico chefe me mostrou que isso está sendo notado, quando ele me disse: “Irmã Johanna, de onde você tira esse descanso! O que você faz é muito profissional!”  Tal afirmação, é claro, desafia!

Meus colegas sabem que sou uma Irmã de Maria de Schoenstatt e tive muitas conversas sobre como cheguei a isso e como nós (Irmãs) vivemos. Alguns colegas não são batizados ou a religião é algo muito distante. Alguns colegas já disseram que eu deveria rezar por eles “porque, certamente, você faz isso“.

Encontros com ELE

É belo que ainda haja algumas ‘Irmãs de Caridade’ na casa que, comigo, se empenham por criar um clima religioso. Quando pedem, os pacientes são levados à capela ou podem receber a Santa Comunhão no quarto do hospital. Muitas vezes vivencio um ‘encontro’ no corredor, quando o Salvador vem (na Eucaristia). Este é sempre um momento particularmente bonito para mim, e eu sinto que ele está lá.

Estou muito grata e feliz por poder trabalhar novamente na profissão em que me formei, o que nunca pensei que faria. E eu continuo dizendo que é um trabalho maravilhoso, que eu posso exercer.