05.01.2018

Ano Novo – Caminhos Novos

de Ir. M. Hanna – Lucia Hechinger, Alemanha

Exige um pouco de tempo encontrar e seguir novos caminhos. Neste ano, tive uma experiência bem concreta sobre isso. Próximo à nossa casa, há uma região de grandes bosques que convida a passear. Durante muito tempo sempre fiz o mesmo trajeto. Até que um dia,  circunstâncias não previstas me fizeram tomar outro caminho nesta região. Entretanto, já são quatro caminhos diferentes que percorro nesse local, conforme a situação ou como está o clima. Meu horizonte se ampliou e estas zonas de bosques se tornaram cada vez mais em “meu” espaço, no qual me sinto em casa.

Este Ano Novo é um convite para ampliar o horizonte da minha vida, abandonar caminhos que já percorri para ganhar maior amplidão interior. Por exemplo, um novo caminho, que chama pouca atenção, pode ser: abandonar o amplo caminho de considerar tudo como óbvio para se tornar mais grato.

 

Tirar a camada da poeira, de considerar tudo natural

Somos convidados, neste novo ano, a remover a camada de pó que pesa e cobre o colorido de nossa vida, como se fosse um pano cinzento,  que nos faz aceitar tudo como se fosse natural. Eu os convido a contemplar a nossa vida diária. Onde se pousou em minha vida esta camada de pó? Pe. Kentenich disse certa vez: “O falar ‘obrigado’ deveria ser o tom fundamental da nossa existência. As pessoas gratas são felizes. A gratidão não depende de que eu receba tudo o que quero, de que esteja alegre porque tudo vai como eu havia  imaginado. No mais  profundo, a gratidão brota da conviccão de que Deus está presente en minha vida, de que Ele me sustenta e justamente nos momentos mais escuros.

Nenhum minuto de tristeza

No dia 21 de setembro de 1941, os nazistas prenderam o Pe. Kentenich, durante quatro semanas, em Coblença, em um cárcere que tinha sido um banco e cujos cofres se tornaram celas para os prisioneiros. Devido a altura das mesmas, nem todos os prisioneiros conseguiam ficar de pé, retos, não havia luz e nem ar  fresco. Esta era uma tática dos déspotas da época, para ‘acalmar’ os prisioneiros e arrancarem confissões deles. Pe. Kentenich assim descreveu este tempo de prisão: de todos os lados se escutavam os gritos desesperados das pessoas que se enlouqueciam  nestas masmorras. Ele, então, começou a cantar e isso acalmou os prisioneiros das celas vizinhas. Ele, mais tarde, aconselhou às Irmãs, que aprendessem os cantos decor, para que pudessem ajudar em caso de estarem em situações semelhantes. Ele disse também que durante estas semanas ele não teve nenhum minuto, nem um segundo sequer de tristeza.

Forte na Aliança de Amor

É admirável! Pe. Kentenich Não se entegou cegamente ao seu destino. Ele fundamentava a sua vida na realidade que, em último caso, é a realidade de todo o cristão: Deus em nós. Desde o nosso batismo, vivemos em uma firme Aliança. Sabemos que as nações que vivem uma aliança entre si, são nações fortes. As pessoas que vivem em aliança com Deus são pessoas fortes. Pe. Kentenich viveu em Aliança com Maria, na Aliança de Amor. Ela estava com ele e o ajudou a crer neste Deus de Amor, também nas circunstâncias mais difìceis.

Não estamos sozinhos

Neste momento, não estamos encarcerados em uma masmorra. Porém, neste ano que se inicia, terei que andar por caminos que não gostaria de percorrer, que parecem ser becos sem saídas. Haverá desvíos e congestionamentos. Como irei conduzir estas situações? Que surja em nossos corações o  sol da gratidão: estou em aliança com um Deus que é Pai… “Porém, eu não estou só,  o Pai está comigo (Jo 16,32)“. Consciente desta realidade Jesus empreendeu a sua via-sacra. Eu também não estou só: nem nos trechos principais e conhecidos de minha  vida, nem nas vias laterais ou nos caminhos amplos. Este é o fundamento mais profundo que me faz grato neste ano  que se inicia e me dá ânimo para empreender caminhos novos.